Moral cristã e Bem-aventurança (Apenas um ensaio)

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Não dê presentes ou recompensas para seus filhos quando estes agirem corretamente, isto é, quando eles agirem moralmente. Fazer o bem e agir corretamente é OBRIGAÇÃO deles, assim como é DEVER dos pais ensinar o caminho certo, ético e honesto.

Recompensar alguém (principalmente uma criança) por uma boa obra faz com que a ação moral ganhe uma dimensão distorcida, diferente do respeito à lei (uma noção kantiana, inclusive) e distante da ideia do dever. Uma ação só é moralmente boa se for praticada pelo DEVER, ou pelo RESPEITO (temor/ reverência) em relação ao que é correto, ético e bom (antes de sentir amor pelos preceitos, devemos adquirir o respeito aos preceitos e é exatamente assim que deve começar a educação da criança).

O agir bem, sendo recompensado, passa a ser motivado por interesses, pelo puro apetite por ganhar algo em troca através da boa ação. Assim, o agir bem perde todo seu sentido. Não é isso que a Escritura ensina sobre o agir bem. A intencionalidade da ação é o que define a ação como moral e não o simples agir por agir, tampouco o agir para “conseguir” algo. Ora, a ideia de intencionalidade na ação é uma noção genuinamente evangélica. Seremos provados pelas nossas intenções!

Toda ação nossa tem, é claro, uma finalidade. O valor da ação tem seu efeito. Muitos valores e princípios apontam para uma realidade transcendente, para um fim último, para uma ideia perfeita e imutável (aqui eu sou platônico!). Ou seja: muitos valores morais e princípios éticos refletem o que é Bom, Belo e Perfeito, a saber, Deus e Sua Santidade. Porém, a finalidade (ou a intencionalidade) do nosso agir deve ser a própria realização do bem, como fim em si mesmo, pois, de fato, a ação é boa em si por, justamente, refletir valores para além da nossa finitude e situação. Assim, a “recompensa” cristã para o agir bem é a própria vida de bem-aventurança (felicidade) experimentada pelo cristão, mas não como algo procurado por ele no momento do agir. A felicidade do cristão – segundo a narrativa bíblica sobre as bem-aventuranças – reside na própria ação e se efetiva em nós no receber de Deus a aprovação, diante das injustiças, perseguições, escassez e tristezas da vida, porém, não de um modo passivo apenas, mas ativo, isto é, na prática da vida bem-aventurada que sugere, segundo Mateus 5. 1-12, a vida de mansidão, humildade, justiça, misericórdia, paz, santidade, assim como, noutras páginas da Escritura, a vida de honestidade, respeito à lei, trabalho, moderação, etc. A felicidade (grego: “eudaimonía”) como fim da ação é uma realidade, mas que reside na prática da ação boa em si, não sendo algo buscado e desejado antes do agir. Contudo, a eudaimonía perfeita (felicidade plena) nos é prometida no estágio último da nossa redenção, ou seja, na glorificação do corpo, quando nós estivermos diante do Pai, recebendo dele todo consolo e toda a recompensa. Enfim, a vida bem-aventurada (ou feliz) é aquela, segundo a Escritura, voltada para o agir em si, considerando não o que poderá vir em troca, mas somente o valor da ação, cujo fim aponta para o bem do outro e não para o nosso próprio bem. Esta é a vida do salvo, encontrado pela graça.

A bem-aventurança bíblica parte da ideia de uma ação não interessada que busca o interesse do outro e não o próprio interesse, o que Paulo define também como prática de AMOR em 1 Coríntios 13. 5. O amor cristão é esse: doar-se, perder-se e descentralizar-se no encontro com o outro, com o próximo. É um sair de si. Foi isso que Cristo fez na cruz em relação a nós. Ele nos deu vida, a sua vida, em abundância. Mas, para isso, ele descentralizou-se na cruz, experimentando, inclusive, o abandono momentâneo do Pai. Ele não buscou o próprio interesse e, caminhando para o matadouro, afirmou: “a minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 4. 34). Ora, a “minha comida” é a minha necessidade. É a necessidade do meu organismo. Portanto, é uma necessidade existencial. Jesus revelou a finalidade de sua existência encarnada quando afirmou que sua comida era fazer a vontade do Pai.

A bem-aventurança (felicidade) é uma promessa bíblica para os que agem moralmente, com justiça, com misericórdia e bondade. No entanto, a ideia de “felicidade cristã” na prática das bem-aventuranças está longe da noção de “agir bem para atingir outro fim” ou “agir bem como meio para um fim”, sendo os fins da ação alheios ao valor próprio delas. O agir bem ou a ação moral na Escritura é aquela que dá ao cristão, bem-aventurado, justo, bom e misericordioso, o estatuto de feliz porque a sua vida convertida a Deus reflete a reverência, o temor, o respeito aos preceitos de Deus, sendo esses a sua “comida” diária. Ora, se alimentar bem dá a sensação de felicidade e realização.

O agir bem para o cristão, portanto, tem em Deus, a sua recompensa e, assim, a ação moral (ou genuinamente evangélica) não deve procurar aplausos, presentes e nem aprovações humanas. Seu fim já está definido na própria ação boa e quem age conforme a vontade de Deus não age buscando meios para se salvar ou para preencher vazios do ego, mas age porque foi salvo, alcançado pela graça e, agora, é transmissor de vida e de amor como resultado (ou respostas) da sua eleição.

(Gabriel Felipe M. Rocha)

Crédito da foto: Site “Empório do Direito”

O Redentor vive!

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“[…] Quem dera minhas palavras fossem registradas! Quem dera fossem escritas num monumento, entalhadas com um cinzel de ferro e preenchidas com chumbo, gravadas para sempre na rocha! Quanto a mim, sei que meu Redentor vive e que um dia, por fim, ele se levantará sobre a terra. E, depois que meu corpo tiver se decomposto, ainda assim, em meu corpo, verei a Deus! […]”.

(Jó 19. 23-26/ NVT).

As exclamações de Jó, diante da fala (acusadora) de seus amigos comunicam algumas verdades a respeito da redenção.

1) Diante da acusação (seja mentirosa, seja verdadeira, seja do amigo, seja do inimigo), nós precisamos de um Redentor que se levante e que venha nos justificar diante de Deus.

2) O eleito de Deus clama e exclama seu desejo (do profundo de sua alma) de ver o Redentor e – por intermédio dele – ver a face de Deus.

3) O clamor angustiante e esperançoso de Jó se cumpriu na pessoa de Cristo – a Rocha – que, em seu próprio corpo, teve registradas todas as nossas palavras, ações e sentimentos, para sempre, esculpidas com o ferro e chumbo na cruz. “Para sempre” porque diz respeito do perdão pleno e da segurança eterna previstas no ato salvífico de Jesus Cristo que, tendo consumado sua obra expiatória, pôde dar ao mortal a viva esperança de não apenas ver a face de Deus (como uma mera contemplação intelectual ou como uma experiência puramente subjetiva), mas de estar diante de Deus, mesmo que o corpo experimente, antes, a decomposição (morte). O novo corpo verá a Deus, pois a morte foi vencida e os clamores da alma experimentaram, agora, da graça divina e da justificação em Cristo.

4) “Sei que meu Redentor vive” – Certeza! Uma viva esperança que só é possível porque, antes, houve graça e misericórdia por parte de um Deus Transcendente, Absoluto, Santo, mas também pessoal e que, por ser pessoal, decidiu dar o primeiro passo na reconciliação, considerando, pois, a nossa corrupção e miséria. Ambas totalmente passivas e merecedoras da acusação e da condenação.

O Redentor vive! E, porque Ele vive, podemos crer no amanhã!

 

Gabriel Felipe M. Rocha

Sobre o aborto

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Afinal de contas, quando se inicia a vida humana, num embrião ou num feto? É possível pensar nisso? A partir de quando o feto é “vida”?

Nenhum grupo pró-aborto responde imperiosamente a estas questões, pois é aqui que a questão sobre o aborto enquanto “direito da mulher” se esbarra na pluralidade de posições e definições. E, geralmente, essas posições se fundamentam em orientações também plurais, diversas que seguem convicções e conceituações de uma variedade de visões do mundo e do ser humano, considerando sempre uma postura moral. E, no caso da mulher, pretensa “dona” do feto, há sempre o embasamento em uma “moral subjetiva” para se pensar o “direito da mãe”. Ora, o “direito da mãe” se fundamente em questões que envolvem apenas a mãe, seus sentimentos, suas questões, suas situações e isso, necessariamente, anula a dignidade do feto, pois, se não é  uma “pessoa formada” que está em questão, ele não tem algum direito a ser pensado ou considerado, portanto, o que deve ser colocado à mesa são os direitos da mulher e, nesse caso, procura-se um escape moral para legalizar o aborto.

Vale observar que a afirmação da personalidade do embrião humano é sempre um ato moral ou parte sempre de uma conceituação moral. Sim, pois, o conhecimento médico e científico, conforme a postagem “O Aborto na Contemporaneidade”[1], do blog “Bioética2012@FAJE”, não pode dar e, tampouco, garantir uma resposta acabada, já que brotam de complicados fatos e experiências que permeiam áreas dos valores, da religião, da medicina, da filosofia.

Portanto, não é só a religião que tem que dar esse salto metafísico. Não é o cristianismo apenas que “coloca” metafísica no problema do aborto. Se a ciência médica, a antropologia, a sociologia quiser dar uma definição do que o feto é, ou do que é a vida (e também se o feto é ou não uma pessoa), precisam dar um salto metafísico, pois devem definir, antes, o que é o ser e o que é a moral. Ora, isso escapa dos limites de suas ciências.

Conforme a observação de Junges, a discussão sobre o aborto está, em geral “reduzida às batalhas jurídicas, ou a descrição dos fatos sociológicos, descurando a reflexão ética que é a base primeira de qualquer bioética […]”. Para ele, “ficar situado na esfera do “pode” ou “não pode” do jurisdicismo, significa anular a dimensão simbólica do agir, tarefa peculiar da reflexão ética. O aborto é e sempre será uma forma vulgar de tirar a vida do ser humano”. O aborto é e sempre será uma forma de pensar o homem ou mesmo o “humano” a partir de uma antropologia “manca” que não considera a estrutura humana para além do corpo ou que pretende desvalorizar o corpo-próprio enquanto região fundamental para a manifestação do humano, da pessoa enquanto tal. O feto é um projeto de corpo humano e olvidar isso, é ignorar o fantástico processo de vida humana.

A Igreja deve participar desses debates. O grande erro da Igreja ou das igrejas (enquanto organizações) é se afastar de temas como o aborto. A Igreja deve entrar no fórum das discussões antropológicas, bioéticas e mesmo ideológicas sobre o aborto, porque ela deve – numa postura definida em favor da vida – condenar a tortura e o assassinato em quem quer que seja, não importando qualquer contexto que envolva apenas a mulher ou mesmo uma patologia do feto. Sim, pois a Igreja compreende que o ser humano na sua estrutura integral (isto é, corpo e alma/espírito) é para ser respeitado, nunca conspurcado.

Mas o grande problema das ideologias pró-aborto é o de pensar o ser humano de forma modo fragmentado ou impondo uma antropologia dualista que sugere um afastamento da região corporal da definição de pessoalidade (que já envolve aspectos metafísicos). O cristianismo em sua verdade confessional sempre irá condenar toda experiência de cunho científico que coloca a vida em risco ou que pensa o ser humano sem considerar sua humanidade ou a integralidade de seu ser (ora, o homem não é só corpo. O embrião não é apenas uma massa corporal que pode ser descartada, pois ali há potencialidade de vida, o que envolve corpo e alma viventes). Os cristãos compreendem que o corpo humano é sagrado e, por isso, a Igreja é visceralmente contra a prática do abordo porque feto é um projeto de vida em formação.

Na doutrina cristã, o direito de nascer é fundamental. E se a Igreja defende o feto, não se trata de ideologia, mas de preceitos evangélicos que jamais abrem mão do direito à vida. É por causa do direito que um feto humano tem de nascer (e podemos pensar o feto como pessoa em potencial e que, por ser potencialmente capaz de se tornar uma pessoa, tem direito de viver) que a Igreja condena o aborto e, como no caso mais recente, a legalização do aborto. Ademais, nas palavras do autor católico José Fernandes de Oliveira, o feto está na mulher, mas a mulher não é dona daquele feto, pela mesma razão que o piloto não é dono do passageiro que voa com ele”.

Portanto, abortar é negar um futuro ser humano a desenvolver-se, e a isso, não temos o direito, até mesmo porque acreditamos que o direito de viver é fundamental. E isso não faz parte apenas da fé cristã. O feto é realmente projeto de ser humano, um ser humano em potencial, não importa se tem menos ou mais de três meses. O feto é potencialmente uma pessoa.

Todo argumento pro-aborto gira em torno da tentativa de diminuir o valor do embrião a partir de uma noção antropológica: “o embrião não é uma pessoa”. Portanto, todo discurso em favor do aborto tem como polo a ideia de pessoalidade (ideia que está necessariamente incluída no discurso moral ou ético da mãe, a suposta “dona” do feto).

O grande problema do discurso “o feto não é pessoa” ou mesmo da ideia de que até três meses o feto pode ser abortado (assassinado!) é a tentativa de legalizar o aborto a partir de uma noção antropológica no mínimo dualista. Explico:

Todo o discurso em favor do aborto se fundamenta numa diferenciação ou distanciamento radical entre o corpo (a massa corpórea formada por uma estrutura celular, porém sem consciência e a região psicológica, sede da consciência. Trata-se de uma separação (quase estupida) entre corpo e consciência.

Ora, para os abortistas, a pessoa só pode ser definida se existir uma consciência, logo, uma criança de dois ou três anos que não tem uma consciência formada, mas em formação, pode ser morta, assim como aquela criança que nasce com problemas patológicos relacionados à região neurológica, psíquica etc. Mesmo uma pessoa idosa que “perdeu” sua consciência e suas capacidades ou um adulto que por alguma patologia teve sua região neurológica afetada, pode ser morta de acordo com essa noção antropológica que separa a ideia de pessoa colocando um muro entre a massa corporal (em formação) e a consciência que só poderá ser formada e desenvolvida em dependência da massa corporal em formação. Ou seja: se torna um absurdo abortar uma criança antes dos três meses porque não tem uma consciência, pois, para existir a consciência e a pessoa é necessário que o feto se desenvolva após os três meses.

Como apontou Igor Miguel em um artigo, toda a discussão sobre o aborto, portanto, “vai na direção do conceito de ‘pessoa’. Basicamente este é o argumento: um embrião ou um aglomerado celular, sem consciência, não pode ser considerado uma “pessoa”, logo, nesta fase o aborto seria eticamente viável. Para alguns ou algumas militantes pela legalização ou descriminalização do aborto, por “pessoa” entende-se aquele indivíduo biologicamente humano que desenvolveu consciência ou autonomia”.

Essa diferenciação ou mesmo separação (absurda) entre a estrutura biológica e a psicológica é o que podemos entender como Antropologia dualista, um fundamento para se pensar o aborto como uma “possibilidade moral”. Aliás, as neurociências e as ciências médicas conseguem,a final, definir quando exatamente o embrião se torna eticamente “livre” do assassinato “moralmente aceito” por se tratar de um feto com menos de três anos? Como é possível afirmar a potencialidade pessoal de um feto a partir de X meses ou semanas? Todo salto que é dado para se definir o que é a pessoa, neste caso, se torna um salto metafísico e, quando a Igreja levanta sua voz para falar da dignidade do feto e a noção de dignidade do humano, ela é repudiada por exatamente tratar de valores metafísicos.

Junges discorre bem sobre a questão do feto enquanto pessoa em potencial. Primeiro que, para Junges, A mentalidade abortista aparece quando o aborto toma-se um direito a exigir e uma proposta de solução para outros problemas” (problemas próprios da mulher, portanto, alheios ao feto). Segundo ele “esta mentalidade luta por leis sempre mais liberalizantes e é o principal desafio ético para os cristãos”, como se vê agora no final do ano de 2016 em nosso país.

Para Junges, ainda, “no momento em que se reivindica um direito ao aborto, existe uma tendência a privatizar a questão e reduzi-la ao ponto de vista jurídico: ser a favor ou contra a lei do aborto. É necessário introduzir a perspectiva ética que abre novos horizontes, aponta para elementos essenciais da dignidade humana e convivência social, e convidar os contendentes a discutir a questão em outro patamar – o ético – e superar a sua redução ao jurídico”[2]. O que se vê é exatamente a tentativa de discutir o aborto na esfera jurídica, polarizando a questão ali. E o grande problema é que, geralmente, os discursos em favor do aborto partem da realidade afetiva/ emocional, social, econômica e patológica da mulher e, nessas fundamentações, o feto não tem algum “discurso de defesa” a não ser aquele em favor da vida ou do direito à vida que nós, cristãos (principalmente), devemos defender.

Bom, a primeira questão a discutir é se o aborto pode ser reivindicado como um direito, pois, “todo direito defende, promove e produz bem para a pessoa e a sociedade. Ora o aborto elimina uma vida humana e, portanto, é um mal. O mal pode, se muito, ser tolerado, mas não exigido como conteúdo de um direito a ser reivindicado. Por outro lado, nunca um direito pode ser exigido às custas de outro ser humano, mesmo estando apenas em formação” (J. R. Junges/ artigo: “Aborto, um direito a se exigir?”/ Revista Perspectiva Teológica/ FAJE, p. 397).

O fundamento dos direitos humanos é que o ser humano nunca seja tomado como meio, mas sempre como fim. O ser humano é fim em si mesmo e não meio e essa noção deve ser aplicada ao feto enquanto “humano em potencial” ou enquanto “pessoa em potencial”. O assassinato do feto é, portanto, a sua redução a meio, em vista de um fim se considerarmos apenas o discurso da mulher como aquela que tem “direito de abortar”. Como pensa Junges, “o aborto não pode ser privatizado como um direito subjetivo, porque está implicado um bem fundamental – a vida humana – para a convivência social”.

Bom, de fato o embrião não é ainda pessoa humana em sentido pleno, ou seja: a definição de “pessoa” envolve a capacidade de relação do indivíduo com seu mundo e com o outro e tem necessariamente um coroamento ético (podemos falar disso noutra postagem). Mas, vale observar que, a partir da noção plena de pessoa, o bebê recém-nascido e mesmo a criança antes do uso da razão não são “pessoas”, mas “pessoas em formação” ou potencialmente pessoas. Contudo, considerando a estrutura do “humano”, os fetos e as crianças antes da consciência formada são seres humanos, pois elas têm em suas estruturas a potencialidade para a consciência e para a pessoalidade. Assim, os direitos não se adquirem pelo fato de nascer, mas enquanto ser humano.

A pretensão de determinar cientificamente o momento em que o feto passaria a ser considerado “humano” é, segundo Junges, um falso problema. Sim, pois a ciência não tem parâmetros para definir exatamente este momento. Junges pondera: “suponhamos que seja possível precisar este momento em que o embrião torna-se ser humano. Isto significaria que momentos antes poder-se-ia eliminar o embrião, sem faltar ao respeito ao ser humano, enquanto que momentos depois cometer-se-ia um delito grave. O respeito ao ser humano necessitaria de uma precisão de relógio. É necessário respeitar o ser humano também em situações confusas e ambíguas”[3]. Portanto, a ciência poderá dar elementos, pistas e noções Que não passariam do campo da teoria), mas a resposta definitiva a esta questão depende de pressupostos antropológicos, porém, em vista de uma antropologia integral (e não dualista, isto é, que separa drasticamente o biológico do psicológico). E, além disso, a resposta para a questão do aborto depende de pressupostos éticos e, nesse caso, a luta e a voz da Igreja precisam ser conhecidas e ouvidas.

Gabriel Felipe M. Rocha

Referências:

Igor Miguel/ “Aborto e a Fronteira do Humano“/ Via Rev. Ultimato;

JUNGES, J. Roque Sj/ “Aborto: um direito a ser exigido?”/ Rev Perspectiva Teológica.

Discussões de Bioética/ 2012/ FAJE/ Iran Gomes Brito/Germano Neto.

[1]

[2]

[3]

SOBRE O ABORTO


“Tenho X anos e já tive rês meses” é uma frase de protesto que apresenta uma verdade: o feto é potencialmente uma pessoa.

 

Todo argumento pro-aborto gira em torno de uma questão, a saber, diminuir o valor do embrião a partir de uma noção antropológica: o embrião não é uma pessoa. Portanto, todo discurso em favor do aborto tem como polo a ideia de pessoalidade (ideia que está necessariamente incluída no discurso moral ou ético da mãe, a suposta “dona” do feto).

 

O grande problema do discurso “o feto não é pessoa” ou da ideia de que até três meses o feto pode ser abortado (assassinado!) é a tentativa de legalizar o aborto a partir de uma noção antropológica no mínimo dualista. Explico:

 

Todo o discurso em favor do aborto se fundamenta numa diferenciação ou distanciamento radical entre o corpo (a massa corpórea formada por uma estrutura celular, porém sem consciência. Ora, para os abortistas, a pessoa só pode ser definida se existir uma consciência, logo, uma criança de dois ou três anos que não tem uma consciência formada, mas em formação, pode ser morta, assim como aquela criança que nasce com problemas patológicos relacionadas à região neurológica, psíquica etc. Mesmo uma pessoa idosa que “perdeu” sua consciência e suas capacidades ou um adulto que por alguma patologia teve sua região neurológica afetada, pode ser morta de acordo com essa noção antropológica que separa a ideia de pessoa colocando um muro entre a massa corporal (em formação) e a consciência que só poderá ser formada e desenvolvida em dependência da massa corporal em formação. Ou seja: se torna um absurdo abortar uma criança antes dos três meses porque não tem uma consciência, pois, para existir a consciência e a pessoa é necessário que o feto se desenvolva após os três meses.

 

Como apontou Igor Miguel em um artigo, toda a discussão sobre o aborto, portanto, “vai na direção do conceito de ‘pessoa’. Basicamente este é o argumento: um embrião ou um aglomerado celular, sem consciência, não pode ser considerado uma “pessoa”, logo, nesta fase o aborto seria eticamente viável. Para alguns ou algumas militantes pela legalização ou descriminalização do aborto, por “pessoa” entende-se aquele indivíduo biologicamente humano que desenvolveu consciência ou autonomia”.

 

Essa diferenciação ou mesmo separação (absurda) entre a estrutura biológica e a psicológica é o que podemos entender como Antropologia dualista, um fundamento para se pensar o aborto como uma “possibilidade moral”. Aliás, as neurociências e as ciências médicas conseguem,a final, definir quando exatamente o embrião se torna eticamente “livre” do assassinato “moralmente aceito” por se tratar de um feto com menos de três anos? Como é possível afirmar a potencialidade pessoal de um feto a partir de X meses ou semanas? Todo salto que é dado para se definir o que é a pessoa, neste caso, se torna um salto metafísico e, quando a Igreja levanta sua voz para falar da dignidade do feto e a noção de dignidade do humano, ela é repudiada por exatamente tratar de valores metafísicos.

 

Junges discorre bem sobre a questão do feto enquanto pessoa em potencial. Primeiro que, para Junges, A mentalidade abortista aparece quando o aborto toma-se um direito a exigir e uma proposta de solução para outros problemas” (problemas próprios da mulher, portanto, alheios ao feto). Segundo ele “esta mentalidade luta por leis sempre mais liberalizantes e é o

principal desafio ético para os cristãos”, como se vê agora no final do ano de 2016 em nosso país.

 

Para Junges, ainda, “no momento em que se reivindica um direito ao aborto, existe uma tendência a privatizar a questão e reduzi-Ia ao ponto de vista jurídico: ser a favor ou contra a lei do aborto. É necessário introduzir a perspectiva ética que abre novos horizontes, aponta para elementos essenciais da dignidade humana e convivência social, e convidar os contendentes a discutir a questão em outro patamar – o ético – e superar a sua redução ao jurídico”. O que se vê é exatamente a tentativa de discutir o aborto na esfera jurídica, polarizando a questão ali. E o grande problema é que, geralmente, os discursos em favor do aborto partem da realidade afetiva/ emocional, social, econômica e patológica da mulher e, nessas fundamentações, o feto não tem algum “discurso de defesa” a não ser aquele em favor da vida ou do direito à vida que nós, cristãos (principalmente), devemos defender.

 

Bom, a primeira questão a discutir é se o aborto pode ser reivindicado como um direito, pois, “todo direito defende, promove e produz bem para a pessoa e a sociedade. Ora o aborto elimina uma vida humana e, portanto, é um mal. O mal pode, se muito, ser tolerado, mas não exigido como conteúdo de um direito a ser reivindicado. Por outro lado, nunca um direito pode ser exigido às custas de outro ser humano, mesmo estando apenas em formação” (J. R. Junges/ artigo: “Aborto, um direito a se exigir?”/ Revista Perspectiva Teológica/ FAJE, p. 397).

 

O fundamento dos direitos humanos é que o ser humano nunca seja tomado como meio, mas sempre como fim. O ser humano é fim em si mesmo e não meio e essa noção deve ser aplicada ao feto enquanto “humano em potencial” ou enquanto “pessoa em potencial”. O assassinato do feto é, portanto, a sua redução a meio, em vista de um fim se considerarmos apenas o discurso da mulher como aquela que tem “direito de abortar”. Como pensa Junges, “o aborto não pode ser privatizado como um direito subjetivo, porque está implicado um bem fundamental – a vida humana – para a convivência social”.

 

 

Bom, de fato o embrião não é ainda pessoa humana em sentido

pleno, ou seja: a definição de “pessoa” envolve a capacidade de relação do indivíduo com seu mundo e com o outro e tem necessariamente um coroamento ético (podemos falar disso noutra postagem). Mas, vale observar que, a partir da noção plena de pessoa, o bebê recém-nascido e mesmo a criança antes do uso da razão não são “pessoas”, mas “pessoas em formação” ou potencialmente pessoas. Contudo, considerando a estrutura do “humano”, os fetos e as crianças antes da consciência formada são seres humanos, pois elas têm em suas estruturas a potencialidade para a consciência e para a pessoalidade. Assim, os direitos não se adquirem pelo fato de nascer, mas enquanto ser humano.

 

A pretensão de determinar cientificamente o momento em que

o feto passaria a ser considerado “humano” é, segundo Junges, um falso problema. Sim, pois a ciência não tem parâmetros para definir exatamente este momento. “Suponhamos que seja possível precisar este momento em que o embrião torna-se ser humano. Isto significaria que momentos antes poder-se-ia eliminar o embrião, sem faltar ao respeito ao ser humano, enquanto que momentos depois cometer-se-ia um delito grave. O respeito ao ser humano necessitaria de uma precisão de relógio. É necessário respeitar o ser humano também em situações confusas e ambíguas”. Portanto, a ciência poderá dar elementos, pistas e noções Que não passariam do campo da teoria), mas a resposta definitiva a esta questão depende de pressupostos antropológicos, porém, em vista de uma antropologia integral (e não dualista, isto é, que separa drasticamente o biológico do psicológico). E, além disso, a resposta para a questão do aborto depende de pressupostos éticos e, nesse caso, a luta e a voz da Igreja precisam ser conhecidas e ouvidas.

 

Referências:

Igor Miguel/ “Aborto e a Fronteira do Humano”/ Via Rev. Ultimato;

J. Roque Junges Sj/ “Aborto: um direito a ser exigido?”/ Rev Perspectiva Teológica.

 

Gabriel Felipe M. Rocha

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A cruz

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A mensagem da cruz humilha e confunde qualquer homem sobre a terra.

Pois, até mesmo o fato de alguém tomar a sua cruz representa não um ato de coragem ou bravura (algo que possa ser admirado pelos homens), mas sinaliza o quanto ela é necessária para quem a tomou.

A cruz denuncia o pecado, a vaidade e a rebeldia. Por isso ela é necessária. Isso é humilhante para nosso ego e insuportável para a nossa natureza.

A cruz atrapalha a falsa paz.

A cruz é ultrajante para a alegria artificial.

A cruz ofende a dignidade postiça do homem.

A cruz desconstrói a moralidade fingida.

A cruz afronta a religiosidade.

A cruz revela aquilo que a dissimulação tenta esconder.

A cruz não negocia nada. Não facilita nada. Não permite reservas.

A cruz não dá chance nenhuma para aquilo que insiste viver.

A cruz, portanto, não é um convite agradável! Não são todos que a podem tomar e não são todos os que podem compreender a sua mensagem.

Na cruz foi cumprida uma sentença e na sua amargura encontra-se a doçura. Da morte gerou-se vida e da sentença de morte gerou-se perdão e justiça.

Ela é o convite do Salvador. É só a partir da cruz que podemos ser, de fato, discípulos de Jesus Cristo.

 

***

Gabriel Felipe M. Rocha

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INTERVENÇÃO RADICAL

 

(Por Gabriel Felipe M. Rocha)

 

Nada me causa tanta estranheza como a nossa resistência (costumeira ou eventual) à interferência do amor de Deus.

Não falo do amor salvífico que nos atrai incondicionalmente e irresistivelmente, mas falo do amor de Deus enquanto amor experimentado no nosso agir e viver, o que nos define como filhos, amigos e servos de Cristo. Esse amor divino intervém a todo instante no modo de viver e agir do que tem fé.

Trata-se de uma intervenção radical em nossa vida e que abala as estruturas do nosso ser. Uma intervenção que nos convida a abandonar o barco do comodismo e a liberar as redes dos velhos costumes na praia da nossa existência. A “praia da nossa existência” é a fronteira que existe entre a terra e o mar. É a fronteira entre o continuar pescando como antes (no mar) e o aprender a pescar homens para Deus (na terra). É nessa fronteira, nesse limite, que Jesus chamou alguns de seus discípulos para viverem a vida que vale a pena ser vivida. Ali não houve resistência, mas entrega.

O amor de Deus nos impulsiona a assumir atitudes equivalentes a esse amor. Dada à irresistibilidade da graça salvadora, somos atraídos totalmente não só pelo amor de Deus, mas para o amor de Deus, o que implica não somente experimentar sozinho (subjetivamente) esse amor, mas, sobretudo, viver e agir (intersubjetivamente) esse amor. Viver o amor de Deus é lançar redes que atraem e que trazem para perto aqueles que estão longe.

Porém, nesse “segundo estágio”, o de viver e agir conforme esse amor, pode entrar em cena aquela personagem que precisa morrer para, de fato, existir um final feliz: a nossa velha natureza. Uma personagem que almeja de modo incansável assumir o papel principal na peça (ou no espetáculo, dramático ou não) da nossa existência. Ela quer atuar debaixo dos holofotes, mas com sua trupe completa: vaidade, orgulho, concupiscências, inimizades, porfias, inveja, ciúmes, maledicências, idolatria, etc. Ela odeia qualquer intervenção daquele que dirige tudo e que tem o controle de tudo.

E é exatamente o amor daquele que tem o controle de tudo e de todos que, ao interferir na nossa existência, revela a nossa vulnerabilidade e a nossa incapacidade de dar à nossa existência um sentido, um final feliz (bem-aventurado) a partir de nós mesmos. Isso nos humilha e nos faz, de imediato, perder o controle de nossa própria vida ao reconhecer que somente Jesus Cristo – através de seu amor real e suficiente – pode nos salvar e, ao mesmo tempo, satisfazer as carências de nossa alma e conferir sentido à nossa existência. É um perder para se achar. é o perder a própria vida para achar a verdadeira vida.

O amor de nosso Senhor Jesus Cristo não permanece no horizonte do simples “exemplo a ser seguido”, mas transgride quaisquer limites da nossa contingência, situação e finitude, nos perdoa, nos torna aceitáveis diante do Pai, nos abraça e nos transforma por completo. Ele nos chama e nos capacita. Ele nos perdoa e nos dá condição para perdoar.

Mas o experimentar disso tudo acontece quando o “eu” assume sua cruz e morre. Não há outro ponto de partida e nem atalho. É só assim que podemos participar da plenitude de vida e do amor de Cristo, podendo assim – após Ele, com Ele e nEle – praticar o amor e ter, enfim, a nossa missão terrena conhecida e reconhecida (João 13. 34-35; 17. 22-23).

Por que, às vezes, nós somos tão obtusos para receber ou assumir e amor de Cristo quando nos tornamos relutantes, por exemplo, em perdoar ou quando deixamos para perdoar depois, esperando que brote do nosso coração sentimentos que licenciem o ato de perdoar?

Será que temos medo de reconhecer nossas fraquezas e necessidades? Será que a maldade da nossa natureza (já derrotada pelo sangue de Cristo) está se escondendo em algum senso (próprio) de justiça? Será que o “eu” ainda está atuando junto com o orgulho para não me permitir viver a plenitude do amor de Deus? Será que – quando o assunto é “perdoar o pecado daquele que nos ofenderam” – preferimos manter Deus a uma “distância segura” a fim de proteger a ilusão de nossa independência e autossuficiência?

Um pouquinho sobre o perdão:

A parábola do devedor sem compaixão (Mt 18. 21-35) fornece uma indicação. Certo homem deve ao seu senhor dez mil talentos. O que ele faz? Coloca-se à mercê de seu senhor misericordioso, reconhece sua total impotência diante da situação e suplica o perdão? De modo algum! O devedor não está disposto a reconhecer sua inadequação, mesmo que de joelhos, suplique a misericórdia do seu senhor. A misericórdia do senhor veio num ato de pura generosidade – graça – que, necessariamente, deveria ter sido passada adiante. Mas o devedor recém-perdoado não entende a importância libertadora da generosidade inacreditável de seu senhor. Ele não havia pedido favor algum! Planejava pagar a soma impossível com os próprios esforços. E, visto que ele não era capaz de receber perdão, também não era capaz de oferecê-lo ao servo que lhe devia uma soma irrisória. Uma relutância para perdoar que própria de quem não foi transformado pelo amor de Deus, porque – simplesmente – nunca conheceu a Deus.

A fim de que possamos viver a plenitude do amor de Cristo, nossa percepção falsa de nós mesmos, transbordante de orgulho e ambição, precisa morrer. O desafio constante nesta vida que chamamos “cristã” é traduzir nossas crenças para a vida cotidiana. Um negócio arriscado!

A boa notícia é que, se de fato cremos, podemos experimentar dessa vivência abençoada e abençoadora, pois, se de fato cremos, nós estamos envolvidos pelo amor de Cristo e esse amor nos impulsiona e nos incomoda, mesmo que cada um de nós experimente processos e níveis diferentes. Podemos experimentar da real vida cristã, pois aquele que nos chamou intervém de modo radical a ponto de nos fazer desistir de nós mesmos e encontrar nova vida, deixando Cristo viver em nós.

 

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Gabriel Felipe M. Rocha

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Referências:

Bíblia de Transformação Pessoal (NTLH);

A Assinatura de Jesus (Brennan Manning).

A RELIGIOSIDADE DENUNCIADA

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(Por Gabriel Felipe M. Rocha)

“Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para explicar a Lei de Moisés. Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem. Porém não imitem as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam. Amarram fardos pesados e os põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos. Tudo o que eles fazem é para serem vistos pelos outros […]” (Mateus 23. 1-5/ NTLH)

 

O capítulo 23 de Mateus pode ser considerado já um sermão pronto, pois, em toda sua estrutura, Jesus discorre – em tom de reprovação – sobre a prática e a vida religiosa dos escribas e fariseus. Ele deixa uma série de advertências e denuncia com predição de juízo a religiosidade mascarada daqueles que estavam ocupando – em termo de autoridade – a cadeira de Moisés.

Diante da multidão que o acompanhava e diante de seus discípulos, nosso Senhor reafirma a autoridade dos escribas e fariseus com relação ao ensinamento da Lei que, de fato, devia ser obedecida. Contudo, ele adverte os ouvintes a respeito da conduta não imitável daqueles que tinham autoridade para ensinar e pregar, mas não tinham exemplos, testemunhos e legado algum para deixar. Tratava-se, portanto, de uma denúncia pública da religiosidade daqueles que pareciam bons, piedosos, crentes em Deus, mas que não conheciam a Deus.

Bem, a religiosidade não é um mal próprio daquela época e, tampouco, é fenômeno de um grupo específico. Todo conjunto religioso conta com a atuação dos religiosos, fanáticos, legalistas, hipócritas e “fiscais da fé” alheia. Em alguns grupos, inclusive, a religiosidade é necessariamente o fenômeno que identifica o grupo. Infelizmente, a despeito das tantas advertências, parábolas e mensagens evangélicas que existem e que já estão sendo pregadas e ensinadas há dois milênios, no nosso meio – cristão – existe com muita força e atuação a religiosidade. Muitas igrejas (ou todas, não sei) experimentam de algum modo a religiosidade. Umas mais, outras menos…

Ora, esse também não é um mal próprio do nosso tempo. Algumas cartas neotestamentárias lidaram com esse problema no primeiro século da era cristã (1 Co 5. 6-8; Gl 3. 1-5; Ap 2. 4,5; 3. 15-17). A euforia sem constância, a fé sem frutos, a ortodoxia sem amor, o amor sem disciplina e a dualidade de caráter sempre estiveram presentes no meio do povo de Deus, crescendo como o joio no meio do trigo.

Mas a Verdade já está às portas! O dia da separação do joio e do trigo está para chegar (Mt 13. 24-30) e, naquele dia, todos serão reconhecidos por suas obras (Mt 16. 27).

 

” […] Vocês só poderão ter frutas boas se tiverem uma árvore boa. Mas, se tiverem uma árvore que não presta, vocês terão frutas que não prestam. Porque é pela qualidade das frutas que sabemos se uma árvore é boa ou não presta. Ninhada de cobras venenosas! Como é que vocês podem dizer coisas boas se são maus? Pois a boca fala do que o coração está cheio. A pessoa boa tira o bem do seu depósito de coisas boas, e a pessoa má tira o mal do seu depósito de coisas más” (Mateus 12. 33-35).

QUAL É A VERDADEIRA RELIGIÃO?

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(Por Gabriel Felipe M. Rocha)

A Verdade é hostil a qualquer gesto de religiosidade.

Ela denuncia toda vaidade, hipocrisia, mentira e orgulho.

No coração onde Jesus Cristo habita, a verdadeira religião se revela. Ela está nas obras dos que, de fato, têm fé. A verdadeira religião só pode existir na sinceridade de quem a vive. Ela dispensa os elogios, pois a saudação dos homens não é o galardão que ela aguarda. Aliás, a verdadeira religião opera num gesto suficiente em si e, por isso, não espera nada em troca. Ela é amor que se doa.

Ela, por ser amor, se torna a chave para o cumprimento de toda a Justiça, pois ela adora e exalta somente a Deus acima de todas as coisas e nos impele a amar o próximo como a nós mesmos.

Ela, por ser amor, faz notável o Nome de Cristo e a missão da Igreja. Ela engrandece a Deus com todo o entendimento e com toda a força e, necessariamente, enxerga o outro com generosidade e verdade. (Cf. Mc 12. 30,31). Ela, por ser amor, não busca seu próprio interesse (1 Co 13. 5), sofre, renuncia e segue firme.

Bom, que Deus tenha misericórdia de nós!

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“Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais” (Mateus 12. 7)

“[…] Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para explicar a Lei de Moisés. Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem. Porém não imitem as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam. Amarram fardos pesados e os põem nas costas dos outros, mas eles mesmos não os ajudam, nem ao menos com um dedo, a carregar esses fardos. Tudo o que eles fazem é para serem vistos pelos outros. Vejam como são grandes os trechos das Escrituras Sagradas que eles copiam e amarram na testa e nos braços! E olhem os pingentes grandes das suas capas! Eles preferem os melhores lugares nos banquetes e os lugares de honra nas sinagogas. Gostam de ser cumprimentados com respeito nas praças e de ser chamados de “mestre”. Porém vocês não devem ser chamados de “mestre”, pois todos vocês são membros de uma mesma família e têm somente um Mestre” (Mateus 23. 2-8);

“Alguém está pensando que é religioso? […] Para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (Tiago 1. 26,27);

“Meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações? Será que essa fé pode salvá-lo? Por exemplo, pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se vocês não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: “Que Deus os abençoe! Vistam agasalhos e comam bem.” Portanto, a fé é assim: se não vier acompanhada de ações, é coisa morta” (Tiago 2. 14-17).

O homem, a transcendência e o cenário ético atual

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Por Gabriel Felipe M. Rocha

OBS. Este texto é parte do primeiro capítulo de um artigo intitulado “Ética Cristã e Transcendência“, de Gabriel Felipe M. Rocha, ainda não publicado.

Não é fácil para uma sociedade como a nossa – hedonista, materialista, individualista e consumista – lidar com os valores transcendentes. Isso porque ela, uma sociedade que se entende “pós-moderna” e que, agora, pretende-se “pós-religiosa” ou mesmo “pós-cristã”[1], está mergulhada na efemeridade das coisas e na fragilidade das verdades que se tornaram relativas e distanciadas dos referenciais éticos universais capazes de conduzir a ação humana para os valores do Bem Transcendente[2]. Valores que são propriamente humanos e que, por isso, podem atribuir sentido à existência humana enquanto existência dotada de propósito, dignidade e, por fim, dotada de uma essência que não nos permite pensar a nossa vida a partir dos tantos conceitos fragmentados, reducionistas e relativizados presentes nos círculos culturais do nosso tempo e que querem definir o homem como um ser de carências e necessidades. Noutras palavras: um ser meramente terreno, temporal, cuja existência deve se caracterizar pela busca de satisfações individuais num universo ético cada vez mais niilista, isto é, sem considerar um sentido último para a vida humana.

O homem, no entanto, é bem mais do que um ser de carências e de necessidades. Ele é bem mais do que um ser de prazeres e vontades. O homem, em sua definição integral (e não fragmentada ou reduzida), é bem mais que um sujeito finito, limitado em sua existência temporal. Ele deve ser pensado como um ser que, necessariamente, deve transcender sua finitude (para se realizar humanamente) e dirigir-se para o Absoluto, impelido pelo chamado próprio de sua essência. Chamado esse que o impele a buscar incessantemente esse sentido último para sua existência, mas que, muitas vezes, o orienta para fins terrenos, contingentes, enfim, incapazes de satisfazer sua humanidade (pensada como um todo).

Nossa essência – independente de conceituações religiosas ou dogmáticas – é um constante clamor à infinitude através da ilimitação ou da insaciabilidade de nossa razão e de nossa vontade (as duas faces de nosso espírito[3]). O viver humano é marcado por essa inquietante busca por satisfação ou realização pessoal. Todas as obras e manifestações culturais, sociais, religiosas e políticas do ser humano no decorrer da história revelam essa essencial insaciabilidade, dada ao “excesso ontológico”[4] que há em cada indivíduo. Portanto, o homem  busca transcender-se através de seus atos e expressões na história. Trata-se de uma dialética da essência e existência que, impelida pelo dinamismo da razão e da vontade, instiga cada indivíduo à transgressão dos limites de sua situação e finitude, através de suas obras.

O homem, enquanto ser criado à imagem e semelhança do Criador[5], tem em sua essência um “excesso ontológico” (ou superabundância ontológica) que revela exatamente a sua inquietude e insatisfação e que o impulsiona a buscar – de diversos modos – sua realização na história, buscando ser-mais. Sim, pois, o que restou para o homem após a queda no Éden[6] – queda que significou o afastamento com relação ao Criador – foi o desejo essencial de querer religar-se àquele ou àquilo que pode satisfazer totalmente a sede e fome insaciáveis de sua razão e de sua vontade que, a partir do afastamento de Deus após a queda, se viram entregues às próprias concupiscências e inclinadas à contingência fazendo de cada indivíduo, pois, um ser “morto” em relação ao Absoluto Transcendente ou mesmo “escravo”[7] de sua própria vontade, uma vontade manchada pelo pecado[8] e, portanto, incapacitada de contemplar a partir de si mesma a Verdade e o Bem.

Contudo, mesmo após a queda[9], a essência do ser criado (conforme a imagem e semelhança do Criador) manteve-se “aberta” para o infinito, porém, desejosa dessa infinitude. Nossa razão e nossa vontade – enquanto atos de nosso espírito – estão sempre desejando atingir o nível de plena realização. A razão, por exemplo, está sempre desejando a Verdade e a vontade está sempre partindo em busca do Bem. Verdade e Bem são, portanto, os fins últimos da nossa razão e da nossa vontade e só podemos nos realizar de modo pleno ao contemplarmos, enfim, a Verdade e o Bem. Contemplação essa que significa tão logo a experiência de transcendência do nosso ser finito e situado.

Ora, a nossa natureza é constitutivamente insatisfeita e, por ser assim, buscamos de diversos modos a transcendência como urgência ontológica. Cada indivíduo busca a sua transcendência mesmo que, em muitos casos, ele não busque o Criador, mas, “destituído da glória”[10], busque nas coisas criadas e terrenas a satisfação de suas vontades.

A história de cada indivíduo se resume, assim, na busca pela transcendência ou na busca pela realização de sua própria vida. As ações humanas são manifestações que evidenciam, desde as primeiras expressões do recém-nascido, o desejo de afirmação e de realização pessoal, portanto, o desejo de transcendência. Os tratados éticos mais notáveis na história da Filosofia anunciam a eudaimonía (ou “felicidade, num conceito vulgar) como fim último de nossas ações, pois, todas as nossas ações visam esse bem maior ou mais perfeito que é a felicidade ou, noutra definição, a realização da própria vida[11].

Contudo, essa realização humana só se torna possível para o indivíduo quando Deus (o autor da vida e da salvação) dá o primeiro passo que viabiliza esse processo. Isso porque o homem não é apenas um ser essencialmente aberto para o infinito. Ele não é pura abertura ilimitada. O homem também é finito e situado, ou seja, ele se define também como ser terreno, limitado e situado historicamente. Ademais, em conformidade com a conceituação bíblico-cristã do homem, cada indivíduo está impossibilitado de qualquer re-ligação com Deus por causa de seu estado pecaminoso[12]. Aliás, não só isso, mas está afastado de Deus e é alvo da justa ira de Deus[13]. Portanto, a partir de si mesmo, o homem não pode fazer a experiência da transcendência enquanto partida para o Absoluto. Isso só é possível se esse Absoluto (Deus) se revelar ao indivíduo[14] a partir de um projeto de reconciliação[15].

[…]

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[1] Uma das características da pós-modernidade – no que tange a Civilização Ocidental – é a afirmação da pós-religiosidade ou, como é no caso de muitos países ocidentais que se formaram no berço cristão, do pós-cristianismo. Conforme uma constatação, de um dos editoriais da “Folha de São Paulo” (22 de julho de 2010), “A grande maioria dos ocidentais não chegou ao ponto de negar a existência de Deus — e dificilmente chegará –, mas relegou o sagrado a uma espécie de limbo”.

A secularização da fé cristã numa civilização pós-moderna, e que se pretende pós-cristã, teria começado com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche em meados do século XIX. O francês Michel Onfray diz que Nietzsche é o “inventor do pós-cristianismo [por ter sido] o primeiro a propor um pensamento vivo e concreto para viver e agir em um mundo sem Deus”. Além de Nietzsche (1844-1900) podemos destacar três ateus radicais de hoje (Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris), que dizem que a religião é uma ilusão que precisa ser erradicada. Cf. “O inventor do pós-cristianismo”, Revista Ultimato, Ed. 326, Setembro-Outubro, 2010.

[2] A ideia de Bem Transcendente aqui neste artigo remete tão logo à ideia de Deus como fim último do existir humano. As ações (éticas) de cada indivíduo – para realizá-lo humanamente – devem ser dirigidas ao Bem ou em conformidade com o Bem, pois, essencialmente, o homem é aberto (pela infinitude de sua razão e de sua vontade) à infinitude do Bem, estabelecendo, pois, uma relação com o Transcendente, assim como é constitutivamente aberto para uma relação com seu mundo e com o outro. Portanto, as ações que podem realizar o homem são ações (éticas) que orientam o indivíduo para o fim último capaz de atribuir sentido à sua existência finita e situada. Ora, distante de uma ideia antropocêntrica ou de uma noção de autossuficiência para se realizar (ou se salvar), devo advertir que – no pensamento cristão – esse dirigir-se a Deus como fim último, um alvo da razão e da vontade humanas, só é possível pelo auxílio e operação primeira da graça. Sem esse auxílio – regenerador – da graça, o homem permanece incapaz de experimentar da plena realização de sua existência (ou da salvação).

[9] Para se falar de uma Ética Cristã e de uma Antropologia Cristã, devemos considerar a tradição bíblico-cristã da queda do homem no Éden, pois, a partir da narrativa de Gênesis, nós temos elementos que apontam para a constante insaciabilidade humana diante de suas obras e a incansável tentativa de seu buscar – seja pela cultura, seja pela religião – a face do Criador, o que em outras palavras pode significar a busca pela transcendência. Cf. Gênesis 3. 23; Gênesis 11. 4.

 

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SOBRE FINANÇAS

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“Os planos do diligente tendem à abundância, mas a pressa excessiva, à pobreza” (Pv 21. 15)

Agir com diligência (ou zelo, cuidado, destreza, habilidade…) na administração de nossas finanças é essencial para uma vida financeira controlada. E não só isso, o controle financeiro sinaliza a nossa relação com o dinheiro, indicando se é uma relação saudável ou não. Isso tudo está diretamente ligado, também, com sua relação com Deus. Uma vida financeira controlada, bem administrada é louvor a Deus. Cuidar do nosso dinheiro, entendendo que TUDO é do Senhor (Sl 24. 1), é, entre tantos, um modo de viver para a glória de Deus (Ef 1.6).

Não se trata de ficar rico ou de ajuntar muito dinheiro ou, tampouco, de adquirir muitos bens, mas de viver uma vida tranquila, o que dá qualidade à vida e faz com que ela ganhe o atributo de “abundante” (o que quer dizer não somente tempo de vida, mas qualidade de vida). Ora, uma vida financeira controlada nos dá certas potencialidades para executar determinadas tarefas ditas necessárias ou primordiais, considerando nossas necessidades (pessoais/ familiares) e a garantia da provisão para “os tempos difíceis” (Pv 30. 25), como doenças, acidentes, desempregos, crise financeira, etc. Além do mais, as finanças em ordem nos dão condições de:

1) Compartilhar com o outro daquilo que nos sobeja e de ajudar o outro em suas pontuais necessidades (Pv 14. 31; 19. 17; 31. 20), num gesto de generosidade (lembrando que somos cristãos e que a generosidade deve acompanhar nossa existência – Mt 5. 16/ Gl 2. 10);

2) Desfrutar de lazeres com nossa família, realizar sonhos e estabelecer novas metas.

Contudo, é importante apreciar os pressupostos dessa boa administração financeira enquanto modo de viver para a glória de Deus.

Como nós temos enxergado o nosso dinheiro? Reconhecemos que Deus é quem nos tem abençoado, dando-nos o trabalho, condições necessárias para melhorias profissionais e todo o recurso que chega em nossas mãos? Como temos reconhecido e “devolvido” parte desses recursos para Deus visando os interesses de Deus? Como relacionando o nosso dinheiro coma nossa fé (cristã)? Nosso dinheiro é um fim em si mesmo ou é apenas um meio para fins maiores? Nosso cartão de crédito nos domina ou somos dominados por ele? Nossa mente consegue suportar os desejos e as insatisfações “momentâneas” de nossos olhos ou nos damos por vencidos pelos nossos “apetites”? Ora, a pressa excessiva nos leva à pobreza e, para isso, não importa o quanto temos hoje. Basta um coração voltado para a ganância, para a inveja, para o consumismo, para o fetichismo materialista e para qualquer tipo de conformação com este século moralmente sem sentido e sem referências, que estabelece relações “pessoais” fundadas no ter e não no ser.

Por outro lado, a avareza, a preocupação imoderada com o dinheiro, a preocupação (muitas vezes doentia) em guardar dinheiro, etc., além de sinalizar a idolatria e a vida afastada dos valores eternos, indica a infelicidade de quem sempre busca satisfazer-se e realizar-se no “ter” e no “adquirir”, confiando em cédulas e em contas bancárias a própria vida sem sentido, insatisfeita, egoísta e infeliz.

Administrar com diligência é, enfim, reconhecer quem é o dono de tudo, saber aplicar bem o dinheiro, saber investir com visão e com zelo o dinheiro, ser generoso e, também, saber guardar o dinheiro.

Eu, desde meus primeiros trabalhos no início de minha juventude, sempre me preocupei em guardar e aplicar meu dinheiro. Hoje, me encontro, temporariamente, sem o emprego ideal (aquele que, com minha formação acadêmica, me inclino a conseguir). No entanto, experimento do cuidado de Deus através de uma finança controlada e de uma vida financeira com propósito, sem deixar de desfrutar das coisas que compõem o que considero o meu “bem viver”, o que envolve diretamente minha família e meus lazeres. Porém, estabeleço metas, elaboro planos, penso numa boa aposentadoria, garanto o futuro escolar de minha filha, obedeço orçamentos, corto exageros e trabalho para mais. A palavra-chave que também define a “diligência financeira” é o trabalho!

Sou daqueles que gostam de trabalhar com aquilo que envolve diretamente habilidades pessoais e vocação. Costumo dizer que não “presto” para trabalhar por muito tempo naquilo que não me dá prazer e mesmo assim posso afirmar que Deus dá a todos conforme suas habilidades e auxilia-nos nas realizações de nossas metas quando essas partem de pressupostos saudáveis (e que também estão em conformidade com Sua vontade). Sempre digo para os jovens indecisos que, sabendo administrar seus sonhos, seu trabalho e suas finanças, eles podem experimentar de abundância exercendo exatamente aquilo que amam fazer. Porém, digo a esses mesmos jovens que, também, é necessário aproveitar oportunidades e agarrá-las com zelo, boa disposição, coragem e habilidade, pois, muitas vezes precisamos percorrer estradas (longas ou não) ou subir degraus (altos ou não) para chegarmos ao lugar profissional que realizará a nossa essência e que irá corresponder de modo prazeroso com nossa particularidade. Mas, antes de tudo, devemos saber administrar bem tudo que chega em nossas mãos.

Portanto, administrar com diligência as finanças é um modo de viver para a glória de Deus, sabendo que Ele é Senhor de nossa vida e Senhor de tudo e, partindo desse pressuposto, podemos viver uma vida reta, que cuida de todas as despesas do lar, que garante o bem estar da família, que honra com seus compromissos financeiros, dando, assim, bom testemunho nessa área e não agindo de modo que ofereça prejuízo a ninguém.

Assim, podemos viver confiando em Deus somente e, ao mesmo tempo, sendo canais de bençãos e de proclamação do Evangelho através de nossos recursos ofertados e compartilhados, sabendo, inclusive, receber de Deus (sempre mais) para fins que visam sua glória. “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.” (Isaías 64:4).

Gabriel Felipe M. Rocha